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Literatura, História, Museologia e Numismática. Sítio de Goulart Gomes, o criador do Poetrix.
Textos

A barata se chamava Gregor Samsa ou

A metamorfose segundo G.H.

 

“Nunca, até então, a vida me havia acontecido de dia. Nunca à luz do sol – Clarice Lispector”


 

Lispector engolia

ao luar do meio-dia

o corpo de Kafka



 


Comentários a esse poetrix, realizados pelos integrantes do Grupo Poetrix, na oficina Berlinda. Na Berlinda os poetrix são apresentados de forma anônima. Só posteriormente o nome do autor é revelado. Para integrar o Grupo Poetrix é só enviar um e-mail para poetrix-subscribe@yahoogrupos.com.br:

 

Um belo exercício de intertextualidade. Coisa de quem lê muito além das palavras, consegue relacionar obras entre si e conhece todos os recursos do poetrix. Não quero nem saber quem é o autor pra não ficar com medo da fera... rs
Agora, fazer uma poesia mínima inspirada nas complexas obras de Kafka e Clarice é muita ousadia, cara. Pouuraaa! Existem tratados imensos, teses que demoraram anos para serem escritas, tem gente (como eu) que até agora ta tentando decifrar a  oucurada toda da metamorfose e da paixão. Daí me chega um poeta que consegue misturar as duas e resumi-las num Poetrix... Coisa de louco, isso.
A citação ("Nunca, até então, a vida me havia acontecido de dia.
Nunca à luz do sol – Clarice Lispector") é uma pérola. Deu a dica que eu tava procurando. Não acho que o autor está simplesmente falando das obras. Acho que não é impessoal. Acho está relacionado com algo que ele viu ou viveu. Tipo, uma intensa paixão que mudou a vida dele.
O poetrix não me passou aquela náusea, aquele nojo, aquela aflição, aquela angústia desesperada de se encontrar, de se achar um inseto desprezível. Ao contrário, me passou a surpresa de um momento luminoso, vivo e o prazer de poder degustar a vida (sua de outro) em pleno luar do meio-dia, isto é, ainda jovem, cedo, ainda possível de ser vivido (vívido). Me passou leveza, beleza, tesão.
Mas, se não foi isso, que se dane o autor. Eu quero acreditar que nem toda metamorfose é ruim e que nem toda paixão morre na cruz. Não venha me botar prá baixo!
Ah, e além de tudo, o autor ainda demonstrou um recurso muito pouco utilizado no poetrix: desde que os três versos fiquem dentro das trinta sílabas, o título pode ser tão longo quanto 2 livros.
Parabéns pela ousadia, poeta.

Marilda Confortin

 

 

Poetrix rico e destinado a um tipo de leitorado há muito sendo rarefeito na paisagem dos afeitos à literatura no Brasil. Por ser culto, acaba por encerrar um texto poético elitista - no bom sentido!... Somente os mais escolados em escritos literários o podem entender perfeitamente. Se o poema falasse de funk,
pagode e axé, e de seus "geniais escritores" contemporâneos, talvez ficasse mais "pop" e muito menos culto... Ficaria não elitista, mas para gente com um pouco de saber ficaria uma boa merda versejada, não seria escatológico, mas seria semelhante a um verdadeiro dejeto.
Pelo excelente nível, pela pitada de hermetismo, pelas abordagens de obras e personagens importantes (coisa mais pra crítico literário do que pra nós, mortais semples, efêmeros e tão-somente apreciadores do rico e do belo posto em versos!) e pelo título longo ou mesmo agigantado, penso ter sido escrito por
Goulart Gomes. Será que estou certo?
O poetrix está corretíssimo, mas não se destina ao grande público leitor, apartado do acesso a obras de grande valor e riqueza da literatura. Tal gente prefere obras religiosas, exotéricas, de auto-ajuda e todo tipo de água-com-açúcar, certamente duvidosas!
E registro que é bom está no presente grupo de gente culta: o grupo de discussão do MIP.
Parabéns ao autor pela obra de qualidade irrefutável!

Oswaldo Martins



 

Esse é um poetrix, no mínimo, didático, ou uma homenagem. Força o leitor a buscar, caso não conheça, os significados de Gregor Samsa (personagem de Kafka, no famoso "Metamorfose", onde, num belo dia, ele amanhece se percebendo um
gigantesco inseto) e G.H. (personagem de "A Paixão segundo G.H.", de Clarice Lispector, onde a personagem G.H., após demitir a empregada e tentar limpar seu quarto, se depara com a perda da individualidade, após ter esmagado uma barata na porta do guarda-roupa).
Ambos os autores e personagens muito ricos, arquétipos e angustiados. O momento de maior revelação desse livro de Clarice se dá quando a barata, após perder sua casca, expele a secreção branca que aparece como sua última essência.
G.H., então, a come. Estaria aí a renúncia que a personagem faz a seu próprio ser como linguagem, que, logo após o ato, entrega-se ao silêncio.
O poetrix faz uma inter-relação entre a barata (de G.H. da Clarice) com o inseto Gregor Samsa (da Metamorfose de Kafka).
Muitíssimo interessante a idéia do autor, essa ligação entre 2 escritores de épocas tão distintas, porém com angústias semelhantes e questionamentos existenciais evidentes.
Ritmo, rima, quase trocadilho, o poetrix fica entre o lúdico, o didático e o auto-questionamento, porém, seja qual for o objetivo, brilhante! Nada a acrescentar ou suprimir (talvez a citação de Clarice, apenas).
Parabéns ao autor (chuto GG como autor).

Lílian Maial


 

O tema da transformação replicado e ampliado, o luar do meio dia, as multiplas referencias literárias tornam este poetrix numa explosão de ideias e sentimentos, no momento em que o leio.
Este é o segredo do poetrix - dou-lhe um instante de atenção e ele
arranca-me do previsivel e leva-me com ele.
Do ponto de vista formal - excelente a utilização do título e sub-titulo.
Fica o mistério de saber quem é o autor que de esconde sob as letras G.H., assim como Kafka se enconde em Samsa.

parabéns,


KSH  Carlos Scissorhands

 

Esse poetrix me fez conhecer (embora superficialmente) esse tal de Gregor Samsa. Digo-lhes que minha vida jamais será a mesma depois de tê-lo conhecido.
Antes do comentário de Lilian eu imaginei um paralelo entre Clarice e Kafka, mas não entendia o motivo do título. Isso é compreensível para quem não conhece os textos relacionados. Também não sabia que era possível inserir "motes" ou textos de outros autores. Gostei DISSO. Ainda sobre o título, a mim bastaria a frase de Clarice (aí já não sei se é possível).

 

Lili Maia


 

O poetrix  trata de duas personalidades marcantes da literatura e filosofia mundial.
Os versos têm sentido para os que conhecem as obras e os autores.
Vamos tentar analisá-lo sob a perspectiva do leitor  menos  avisado, ou que conhece os autores pelos nomes ou por outras obras... A  leitura de Lispector, sobre a obra de Kafka, está tão intensa que a lê (engole) num rompante de leitura.
Mas o título tira esta feição da interatividade entre os autores.
Visto que sugere um título que leva a outra interpretação, em seguida faz uma citação da obra da Clarice: A Paixão segundo GH. O que leva o leitor para sugestões diversas ou a sentir-se impotente  para análise.
Concordo que é um poetrix fechado, amarrado em situações vividas pela leitura do autor. O grande problema que acho é que não deu margem para devaneios do leitor.* Mas deixou claro a necessidade de uma boa leitura ser refeita.
Valeu!

Regina Lyra

Goulart Gomes
Enviado por Goulart Gomes em 07/04/2008
Alterado em 03/01/2016
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