Território Inimigo
Literatura, História, Museologia e Numismática. Sítio de Goulart Gomes, o criador do Poetrix.
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O QUE LI DE MELHOR NA PRIMEIRA DÉCADA DO SÉCULO XXI
 Reflexões sobre 70 obras lidas e recomendadas.
 
 
Alguns leitores imaginarão que estou criando mais uma das minhas “listas”. Sim e não. As outras listas que elaborei - de álbuns, livros e filmes, todas publicadas em www.goulartgomes.com  - são seleções elaboradas a partir de vários referenciais técnicos e da compilação de listas de especia-listas, críticos, leitores, editores, dentre outros.
 
A seleção que ora apresento é diferente. Para começar, não são livros necessariamente publicados originalmente nesta primeira década do século XXI mas, sim, pela primeira vez lidos por mim neste período. E, depois, aqui não há nenhum critério, à exceção do meu gosto pessoal, tudo aquilo que li e me marcou mais fortemente,  percorrendo uma série de temas aparentemente sem nenhuma correlação: Literatura, Filosofia, Psicologia, Física Quântica, Ficção Científica, Marketing, História, Quadrinhos, Espiritualismo.
 
Por último, não está aqui tudo que já li de melhor. Outros 30 anos ficaram de fora. Com certeza muitos destes livros não passariam para uma “lista final” dos melhores da minha vida. São o retrato de uma época e sabemos que nossos gostos e interesses vão mudando muito ao longo da nossa existência.
 
Enfim, como diz o Capitão Nascimento, “missão dada é missão cumprida”. Prometido e feito. Aí está a lista do que li de melhor nos últimos anos. Uma lista feita por um leitor profissional, e não pelo escritor eventual que tenho fingido ser. Quem sabe se, ao longo destes dez últimos anos, não compartilhamos as mesmas leituras?
 
 
 
 
SOBRE LITERATURA E AFINS
 
Os anos iniciais da primeira década do século 21 começaram assistindo a um grande retrospecto do que de melhor já foi publicado na literatura brasileira e mundial. Esse momento apresenta uma profusão de obras que procuram selecionar e catalogar poesias, contos e crônicas que entraram para história da nossa literatura, publicadas até então. É o balanço final do século 20, o ponto de partida para um sem número de “listas” que se sucederiam (inclusive as minhas!). Dessa forma, destacam-se as seleções: Os 100 melhores contos brasileiros do século e Os 100 melhores poemas brasileiros do século, ambas organizadas por Ítalo Moriconi; Os cem melhores poetas brasileiros do século, deJosé Nêumanne Pinto e 100 anos de poesia, de Claufe Rodrigues. Com o mesmo propósito, em 2007 surgiria
1001 livros para ler antes de morrer, de Peter Boxall, reeditado em 2010. Depois, ainda viriam As Cem Melhores Crônicas Brasileiras, de Joaquim Ferreira dos Santos; 501 Grandes Escritores de Julian Patrick (org.) e 501 Must-Read Books (London: Bounty Books, 2008). Na Bahia, merecem destaque O conto em 25 baianos, de Cyro de Mattos (org.) e o Dicionário de autores baianos, publicado pela Fundação Cultural do Estado.
 
Ensaio sobre o texto poético em contexto digital, de Antonio Risério é uma obra fundamental para compreendermos o atual momento do objeto livro, cada vez mais midiático. Um dos melhores Cadernos de Leitura, publicados pelo Instituto Moreira Sales, foi o que homenageou João Cabral de Melo Neto. Introdução à literatura fantástica, de Tzvetan Todorov, foi a obra que começou a me seduzir definitivamente para este gênero literário.
Como Falar dos Livros que não Lemos?, de Pierre Bayard, com a sua fina ironia francesa, teve o mérito de me libertar da "síndrome de esquecimento" ao afirmar: "No momento em que estou lendo, eu já começo a esquecer o que li”. O Livro dos Livros Perdidos, Uma História das Grandes Obras Que Você Nunca Vai Ler, de Stuart Kelly, surpreendeu ao revelar as centenas de livros de grandes autores que ficaram perdidos no tempo, sem nunca chegarem a ser publicados. Uma frase citada no livro, aludida a Émile Zola tornou-se uma das minhas preferidas: nulla dies sine linea (nenhum dia sem uma linha). No gênero biográfico o destaque foi O Anjo Pornográfico, de Ruy Castro, minucioso relato da vida e obra de um dos maiores escritores da literatura brasileira, o genial pernambucano Nelson Rodrigues.
 
 
LITERATURA ESTRANGEIRA
 
Nunca pensei que um escritor pudesse ser tão sacana, escroto, irresponsável, vulgar e genial quanto Bukowski. Foi o que descobri lendo A mulher mais linda da cidade. De Gabriel García Marquez, que nunca cessa de nos surpreender, li  A Incrível e Triste História de Cândida Erêndira e Sua Avó Desalmada, contos fantásticos (nos dois sentidos) que nos transportam para outras dimensões. Destaque incontestável para O Amante, de Marguerite Duras, escritora de língua francesa, que teve origem humilde e vida pessoal intensa. Dona de uma narrativa de grande poeticidade, o livro impressiona não apenas pela história (também transformada em um belo filme) mas também pelo estilo da autora. Outro romance incrível é
Se Um Viajante Numa Noite de Inverno, de Ítalo Calvino. Autor de tantos livros diversificados e surpreendentes, Calvino dá uma verdadeira aula de como fazer literatura de elevado nível. Um livro fundamental para quem deseja praticar o exercício de escrever.
 
 
 
LITERATURA BRASILEIRA
 
Comecei a década lendo a obra completa de João Cabral de Melo Neto, publicada em dois volumes: Serial e antes e A educação pela pedra e depois. Fiquei maravilhado com a riqueza da linguagem de dois regionalistas completamente diferentes: Brás, Bexiga e Barrafunda, de Alcântara Machado, ambientado nas colônias italianas de São Paulo e Contos gauchescos, de João Simões Lopes. Em seguida, foi a vez de descobrir Os ratos, de Dionélio Machado. A minha inenarrável admiração por Nelson Rodrigues surgiu com a leitura de
A vida como ela é e Elas gostam de apanhar. O sempre por mim ignorado Carlos Drummond de Andrade passou a ser alvo do meu reconhecimento com A rosa do povo. Depois veio Uma Aprendizagem ou O Livro Dos Prazeres, de Clarice Lispector, uma belíssima história de amor entre duas personagens intrigantes, narrada com toda a maestria. No ultimo ano da década, o grande presente ficou por conta da publicação da poesia reunida de Manoel de Barros, na minha opinião o maior poeta brasileiro da atualidade. Dos grandes talentos da atualidade, impossível não citar Iacyr Anderson Freitas, com uma belíssima obra poética, da qual se destaca A soleira e o século.




LITERATURA BAIANA
 
Na poesia, destaque para
Calendário, da poetisa Márcia Tude (que tive o prazer de ler ainda inédito), vencedora do Prêmio Braskem de Poesia e para a Poesia Reunida, de Myriam Fraga. Na prosa, o grande romance Carmina e os Vaqueiros do Pequi, de Dênisson Padilha, um dos melhores já publicados por aqui e, dentre os ensaios, merecem elogios Estilhaços, em tempos de luta contra a ditadura, de Loreta Valadares, que partiu mas nos legou um registro pessoal fantástico dos tempos mais negros vividos em nosso país.




FICÇÃO CIENTÍFICA E QUADRINHOS
 
 
Demorei a perceber o quanto sou fã de ficção científica (FC), uma relação que começa na minha infância com a série clássica de Jornada nas Estrelas (Star Trek) e atinge seu ponto alto em Matrix. Daí, então, comecei a escrever alguns textos de FC, que culminaram com meu romance holocientífico Deixando de Existir. Foi nesta década que comecei a procurar conhecer um pouco mais dessa pouco reconhecida vertente da literatura, no Brasil.
 
Para conhecer este cenário, no Brasil, é indispensável a leitura do ensaio Ficção Científica Brasileira, Mitos Culturais e Nacionalidade no País do Futuro, da pesquisadora norte-americana Elizabeth Ginway. Um estudo muito bem elaborado, com um estruturado embasamento sociocultural, que desvenda as correlações entre a FC produzida no Brasil e a nossa própria história.


A FC mundial tem títulos de expressão, que  perpassam a literatura, o cinema, os quadrinhos e as animações. Assim, do papel para a telona, foram maravilhosas as adaptações de Sin City e Os 300 de Esparta, ambos do genial Frank Miller. Adorei ter conhecido, também, as sagas de Sandman e
Watchmen. Sandman é uma verdadeira neomitologia, criada por Neil Gaiman, também escritor dos livros de contos Coisas Frágeis 1 e 2. Na série dos gibis, Gaiman conseguiu reunir, recriar e reinventar lendas e personagens arquetípicos de várias mitologias, criando algo novo, ambientado em várias eras, inclusive a contemporânea, Já a minha surpresa com o Watchmen começou ao assistir o filme, uma perfeita adaptação dos quadrinhos, dirigido por Zack Snyder, a partir da obra do também genial Alan Moore, ilustrada pelo monstruoso Dave Gibbons. Watchmen é uma verdadeira bricolage de heróis de épocas diversas, tão humanos e problemáticos quanto todos nós.
 




PSICOLOGIA e FILOSOFIA
 
Realizar um curso básico de psicologia junguiana, em 2007, me abriu as portas para um novo campo. A partir dali passei a ter acesso a uma série de conhecimentos até então pouco conhecidos. Em consequência deste aprendizado, li alguns livros que me marcaram significativamente. Jung, vida e obra, de Nise da Silveira, a grande psicóloga junguiana brasileira é um ótimo resumo sobre a vida do mestre suíço, que escreveu o impressionante Memórias, sonhos, reflexões. Depois vieram A passagem do meio, de James Hollis;
He, de Robert Johnson, um livro que todo homem que está em busca do autoconhecimento e da compreensão dos meandros da mente masculina deveria ler; A Jornada do Escritor, de Cristopher Vogler, indispensável a todos aqueles que desejam escrever ficção. Na obra ele demonstra como o mito da jornada do herói serve de base para a elaboração da maior parte dos roteiros hollywoodianos, analisando diversos blockbusters, e as obras do incrível Irvin Yalom: Quando Nietzsche Chorou e A Cura de Schopenhauer.
 
Meu fascínio por Matrix me levou a ler alguns livros de filosofia relacionados ao tema “Real”, como A Pílula Vermelha, organizado por Glenn Yeffeth, que aborda questões de Ciência, Filosofia e Religião, tendo por base aquele filme;  À sombra das maiorias silenciosas, de Jean Baudrillard; Bem-vindo ao deserto do real, de
Slavoj Zizek
, que proferiu palestra em Salvador, Bahia e Matrix: bem-vindo ao deserto do real, de William Irwin (org.)


   
ESPIRITUALISMO
 
 
A grande revelação da década, na minha opinião, é Robson Pinheiro, médium mineiro de quem já li quase toda a obra publicada. Destaque especial para Além da Matéria, Medicina da Alma, Aruanda eo fantástico Legião, ditado pelo espírito Ângelo Inácio, primeira obra da trilogia O Reino das Sombras, que revela os "bastidores" da baixa espiritualidade, suas influências no cenário político mundial e toda a árdua luta dos benfeitores para neutralizar as forças do Mal.
 
Iniciei, também, uma pesquisa sobre a Umbanda e me agradou bastante o livro Umbanda, Essa Desconhecida, de Roger Feraudy. Muito interessante conhecer as origens e estrutura desse segmento religioso, ainda bastante descriminado, mesmo por espiritualistas,  mas que conta com pessoas (encarnadas e desencarnadas) sérias e trabalhos significativos.
 
Outros livros espiritualistas também me surpreenderam: Espíritos Entre Nós e Em Busca da Espiritualidade, ambos de James Van Praagh, medium norte-americano, consultor da série de TV Ghost Whisperer. Praagh consegue abordar o tema da vida após a morte sem dogmatismos e sem falsos doutrinamentos, com uma linguagem clara, sincera e sem nenhum vínculo com denominações religiosas. No Brasil, um trabalho muito importante vem sendo desenvolvido por Laércio Fonseca, físico e espiritualista, autor do livro Física Quântica e Espiritualidadeno qual apresenta ideias revolucionárias unindo a Ciência e o Espiritualismo. Ainda merecem citações dois livros do psicólogo, filósofo e sensitivo baiano Adenáuer Novaes, que já vem há alguns anos elaborando e desenvolvendo novos conceitos no âmbito do kardecismo e da psicologia analítica:
Psicologia do Espírito e Mito Pessoal e Destino Humano.
 
Nessa década conheci a obra de dois mestres espirituais de grande sabedoria: Iyengar e seu maravilhoso “tratado filosófico” de Ioga intitulado  
Luz na Vida,  e Osho, do qual destaco O Livro da Transformação, excelente coleção de parábolas orientais, comentadas pelo irreverente pensador.
 
Destaque ainda, para o Atlas dos Lugares Sagrados, Collin Wilson e Colônia Capella, a outra face de Adão, ditado pelo espírito Yehoshua ao médium Pedro de Campos, que relata as origens cósmicas do nosso planeta.



 
OUTRAS ÁREAS DE CONHECIMENTO
 
Passeando por outras áreas de conhecimento, vale destacar os ensaios: Uma história do corpo na Idade Média, do historiador Jacques Le Goff; A reputação na velocidade do pensamento, do publicitário Mário Rosa; O universo numa casca de noz e Uma nova história do tempo, do físico Stephen Hawking e
Einstein, Os 100 Anos Da Teoria Da Relatividade, de Andrew Robson, que apresenta uma bela e humana biografia de um dos maiores gênios da humanidade. 


Finalizando, cito o livro Marketing 3.0, de Philip Kotler, Hermawan Kartajaya e Iwan Setiawan. Como profissional de Comunicação e espiritualista, jamais sequer imaginei que veria um livro escrito por um dos maiores nomes do marketing com uma abordagem tão voltada para o Ser, apresentando conceitos e aprendizados dignos da Nova Era em que estamos entrando, demonstrando como pessoas e organizações devem estar adaptadas para este novo momento do mundo dos negócios.
 
Até a próxima década.

Goulart Gomes
Enviado por Goulart Gomes em 03/01/2011
Alterado em 03/01/2011
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