Território Inimigo
Literatura, História, Museologia e Numismática. Sítio de Goulart Gomes, o criador do Poetrix.
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POEMÚSICA, A PALAVRA CANTADA


Uns índios
O canto do guerreiro, Gonçalves Dias.
(Gonçalves Dias)
Um índio, Caetano Veloso.
(Caetano Veloso)
Não chores, meu filho; / Não chores, que a vida / É luta renhida:/ Viver é lutar. / A vida é combate, / Que os fracos abate, / Que os fortes, os bravos / Só pode exaltar. / Um dia vivemos!/ O homem que é forte / Não teme da morte; / Só teme fugir; / No arco que entesa / Tem certa uma presa,/ Quer seja tapuia,/ Condor ou tapir. / O forte, o cobarde / Seus feitos inveja / De o ver na peleja / Garboso e feroz; / E os tímidos velhos / Nos graves concelhos, / Curvadas as frontes, / Escutam-lhe a voz! / Um índio descerá de uma estrela colorida brilhante/ De uma estrela que virá numa velocidade estonteante / E pousará no hemisfério sul da américa num claro instante / Depois de exterminada a última nação indígena / E o espírito dos pássaros, das fontes, de água límpida / Mais avançado que a mais avançada das mais avançadas das tecnologias / Domina, se vive; / Se morre, descansa / Dos seus na lembrança, / Na voz do porvir. / Não cures da vida!/ Sê bravo, sê forte! / Não fujas da morte, / Que a morte há de vir / E pois que és meu filho, / Meus brios reveste; / Tamoio nasceste, / Valente serás. / Sê duro guerreiro, / Robusto, fragueiro, / Brasão dos tamoios / Na guerra e na paz. / Teu grito de guerra / Retumbe aos ouvidos / D'imigos transidos / Por vil comoção; / E tremam d'ouvi-lo / Pior que o sibilo / Das setas ligeiras, / Pior que o trovão. / E a mão nessas tabas, / Querendo calados / Os filhos criados / Na lei do terror; / Teu nome lhes diga, / Que a gente inimiga / Talvez não escute / Sem pranto, sem dor!/ Porém se a fortuna, / Traindo teus passos, / Te arroja nos laços / Do inimigo falaz! / Na última hora / Teus feitos memora, / Tranqüilo nos gestos, / Impávido, audaz./ Impávido que nem Muhammad Ali / Virá que eu vi / Apaixonadamente como Peri / Virá que eu vi / Tranqüilo e infalível como Bruce Lee / Virá que eu vi / O axé do afoxé Filhos de Ghandi / Virá! / E cai como o tronco / Do raio tocado, / Partido, rojado / Por larga extensão; / Assim morre o forte! / No passo da morte / Triunfa, conquista / Mais alto brasão. / As armas ensaia, / Penetra na vida: / Pesada ou querida, / Viver é lutar. / Se o duro combate / Os fracos abate, / Aos fortes, aos bravos, / Só pode exaltar. / Um índio preservado em pleno corpo físico / Em todo sólido todo gás e todo líquido / Em átomos, palavras, alma, cor, em gesto, em cheiro, / em sombra, em luz, em som, magnífico / Num ponto eqüidistante entre o Atlântico e o Pacífico / Do objeto sim, resplandecente, descerá o índio / E as coisas que eu sei que ele dirá, fará, não sei dizer assim de um modo explícito / ... / E aquilo que nesse momento se revelará aos povos / Surpreenderá a todos não por ser exótico / Mas pelo fato de poder ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio...

Recentes descobertas realizadas por estudiosos da antropologia indicam que as Artes Visuais, a Música e a Poesia Lírica nasceram irmanadas na história da humanidade. Nos primórdios do exercício da sua expressão cultural, quando o pensamento humano ainda era muito mais tribal que individual, o Homem utilizava, interativamente, a imagem, o som e a palavra, que entrelaçavam-se, numa relação simbiótica, multifacetada, poliexpressiva. Desde então estava estabelecida a relação do indivíduo com as três principais esferas da sua atuação: a tribo (comunidade), a terra (fonte da vida, do alimento) e o Universo (Natureza, deuses, espíritos). Enquanto que nas duas primeiras, visíveis, as relações eram estabelecidas por fatores materiais, objetivos, físicos, como a força, o terceiro era subjetivo e indireto: nem a todos os homens era dado o privilégio de falar com os seres invisíveis, mas apenas a uns poucos privilegiados: os xamãs. Elos de ligação entre os Homens e os Deuses, eles serviam-se dessas formas de expressão intelectual em suas celebrações e rituais, de forma equânime. Pinturas rupestres, esculturas e instrumentos musicais (tambores e flautas de ossos) feitos a mais de 20.000 anos, encontrados em cavernas da Espanha e da França, reforçam a tese de que os xamãs foram os criadores dessas “artes”.

O pensador romano Horácio , dezenas de séculos após, daria voz a essa idéia quando afirmaria, em sua obra Arte Poética, que “a poesia é uma pintura que fala; e a pintura, um poema mudo” (Ut pictura poesis).

Na fonte fértil do imaginário literário, o primeiro poeta brasileiro foi um índio, como relata o professor José Alexandrino, da Universidade Federal da Paraíba. Não um índio “de verdade”, mas fruto da criação ficcionista do pensador francês Michel de Montaigne . Um índio culto, quase um poeta clássico europeu! No capítulo “Dos Canibais”, do seu livro Ensaios, para representar o seu mito do “bom selvagem”, ele nos apresenta um tupinambá, da Guanabara, autor dos versos da Canção da Serpente:

Couleuvre, arrête-toi;
arrête-toi, coulevre,
afin que ma soeur tire sur patron de ta peinture
la façon et l’ouvrage d’un riche cordon
que je puisse donner à m’amie:
ainsi soit en tout temps ta beauté et ta disposition
préférée à tous les autres serpents.

Como se não bastasse, a canção em versos virou canção melódica, em pleno século XX. Transcriada por Waly Salomão, foi musicada por Caetano Veloso e incluída no CD Noites do Norte.

Pára de ondular, agora, cobra coral:
a fim de que eu copie as cores com que te adornas
a fim de que eu faça um colar para dar à minha amada,
a fim de que tua beleza
teu langor
tua elegância
reinem sobre as cobras não corais

No período medieval são raras as expressões literárias escritas, constando entre elas, principalmente, obras de caráter religioso. As lendas eram cantadas e transmitidas para a posteridade pela tradição oral, através de trovadores e menestréis: trobadours franceses, minnesingers alemães, cantores italianos, mestres de juglária espanhóis e trovadores portugueses. Só posteriormente estas canções de gesta viriam a passar para a forma escrita. O surgimento das literaturas nacionais na Europa foi simultâneo à formação dos Estados, sendo uma exigência das sociedades burguesas como parte do processo de construção e consolidação das identidades nacionais.

Com a formação das línguas nacionais, ampliou-se o gosto pela literatura, surgindo as canções de amor e os romances, escritos em versos. As canções trovadorescas eram cantadas e tocadas pelos trovadores, que percorriam castelos e feiras, exaltando o amor à mulher e o espírito cavalheiresco.

A literatura portuguesa começa pela poesia: a Cantiga da Ribeirinha é o primeiro documento literário português, datado de 1189, do poeta Paio Soares de Taveirós, dedicado a D. Maria Paes Ribeiro. Os primeiros poetas portugueses eram trovadores que escreviam canções de amor, de amigo, de escárnio e de mal-dizer. Já no início do século XV os poemas não são mais cantados e sim recitados. Os padrões métricos começam a se impor. O surgimento da imprensa viria fazer com que a poesia fosse cada vez mais escrita e menos cantada. O livro, como repositório de conhecimento, sabedoria e sendo forma mais eficiente de transmissão da cultura, viria a se tornar a forma principal de expressão das elites. A literatura começa a ganhar o contorno de preservação da ideologia dominante, iniciando uma separação entre os textos literários (canônicos) e os não-literários. Diante destes fatos, a poesia passa a seguir caminhos diversos da música, habitualmente uma expressão cultural de caráter mais popular, expressão das massas.

“Toda arte aspira à condição de música”. Essa frase, de outro Horácio, o crítico e ensaísta inglês Walter Horatio Pater , é citada pelo poeta e crítico Adolfo Montejo Navas em entrevista que realizou com Waly Salomão, para a revista CULT. Nela, Waly afirma que "quem melhor expressa essa relação de acordo e acorde é um crítico inglês, Walter Pater". Seus comentários seguintes são contundentes. Numa retórica típica do seu comportamento irreverente, ele não economiza palavras... nem agravos: Essa frase é insuperável. Supera as aporias e os críticos menores brasileiros, ou melhor dito, aqueles professorinhos que tentam estabelecer diferenças entre letras de música e poesia. Falam como se fossem a instância máxima... Esses professores querem que a poesia escrita seja absolutamente superior à falada ou cantada, quando a tradição da própria língua... começa com cantar de amigo, cantar de amores. Eles falam como se a poesia do livro fosse a única coisa que restasse.

A frase à qual Waly refere-se faz parte um texto mais longo. Integra o capítulo “The School of Giorgione”, do livro The Renaissance. Nele, Pater, numa visão típica de um pensador da Inglaterra Vitoriana, afirma que a Poesia Lírica é a forma mais alta e mais completa de poesia, pois é nela que a distinção entre forma (form) e conteúdo (matter) é reduzida ao mínimo: All art constantly aspires towards the condition of music. For while in all other kinds of art it is possible to distinguish the matter from the form, and the understanding can always make this distinction, yet it is the constant effort of art to obliterate it. That the mere matter of a poem, for instance, its subject, namely, its given incidents or situation - that the mere matter of a picture, the actual circumstances of an event, the actual topography of a landscape - should be nothing without the form, the spirit, of the handling, that this form, this mode of handling, should become an end in itself, should penetrate every part of the matter: this is what all art constantly strives after, and achieves in different degrees.

Mais adiante ele afirmará que é na música, contudo, ao invés de na poesia, que será encontrada a “arte perfeita”, pois é nela que veremos a identificação exata entre forma e conteúdo. Seria nesse aspecto que todas as demais artes aspirariam à condição de música, na união perfeita desses dois componentes.

Curioso que em uma edição anterior da mesma revista CULT, também em entrevista, o multiartista Caetano Veloso, considerado um dos maiores poetas da Música Popular Brasileira, quando questionado se vê diferenças entre escrever poesia, letra de música ou ensaio, comenta, aludindo a uma possível diferenciação entre os seus papéis de letrista/poeta: Todas as vezes que eu fiz poesia foi só de brincadeira (sic)... Eu agora já estou velho, acho que não me vai acontecer, mas se algum dia eu tivesse que chegar a fazer poemas mesmo, eu ia entrar numa outra, num outro registro de exigências, de discussões internas, que não são as que eu utilizo para fazer o que eu faço.

Mas é a própria opinião popular que consagra – ou não – um compositor como “O Poeta”. E nesse entendimento popular do significado do “Poeta” está aquele indivíduo que ultrapassou os limites do Belo, atingindo o “Estado da Arte” da composição. Para esse público, a palavra “Poesia” ganha o significado da própria essência da Arte, e o Poeta é o seu arauto. É assim, por exemplo, com Chico Buarque, que apesar de jamais ter lançado sequer um só livro de poesias, é considerado um dos maiores poetas da Música Popular Brasileira. Pode Caetano não se considerar um poeta mas, com certeza, é popularmente aclamado como tal.

Pausa. Voltemos no tempo. Dez, vinte anos. Estamos na década de 80, na Bahia. Um escritor hoje conhecido de poucos, não pode ser esquecido: Erthos Albino de Souza. Engenheiro por profissão, idealizou, manteve e bancou, por várias edições, a revista CÓDIGO. Admirador do Concretismo, nas páginas daquela revista, Erthos abrigou e divulgou os trabalhos dos maiores expoentes do movimento concretista – os Irmãos Campos, Décio Pignatari, José Lino Grunewald, dentre outros. Mas não apenas esses. Nas páginas da CÓDIGO estiveram grandes nomes da nossa literatura. Exemplo disso, o seu número 4, publicado em agosto de 1980. Dentre os colaboradores estão nomes da grandeza de Alice Ruiz, Antonio Risério, Duda Machado, Nelson Ascher, Paulo Leminski e Régis Bonvincino entrevistando... Caetano Veloso! Bonvincino cita John Lennon, quando afirmava que “suas lyrics preferidas são as que ‘ficam em pé’ sem melodia, as que funcionam, como poemas no papel”, relembrando os trovadores galego-portugueses dos quais se conhece “apenas suas lyrics que, mesmo sem som, funcionam à maravilha como poemas no papel.” Caetano objeta, diz que o seu interesse maior é pela palavra cantada:

A palavra cantada é, em suma, um outro tipo de matéria prima, que tem a ver com a palavra escrita e com a falada, mas que não se reduz a nenhuma delas. A palavra cantada funciona, talvez, como síntese das outras duas, tem desempenhado, pelo menos, essa função porque toda a curtição da palavra em estado de poesia tem sido muito mais intensa na área da música popular do que nas demais... O olho dançou. O ouvido é uma coisa mais envolvente, mais participante. O som chega de todos os lados, entra em todos os poros... Creio que os poetas papel estão, de um modo geral, mais vinculados a uma tradição européia, e a música popular é uma coisa mais vinculada à América... No fundo somos iguais. Por acaso, por sorte descambamos para a música popular. Mas veja, nós também somos ligados ao mundo das letras escritas, da idéias... acho Chico (Buarque) deslumbrante, ele é o Supervinicius, o Superdrummond, o Superbandeira com a espontaneidade de Dorival Caymmi. A palavra cantada, nele, tem uma fluidez incrível. E você sabe que considero Caymmi o maior, a mãe da palavra cantada, um gênio.

Relembremos: Antonio Risério estava naquela revista-constelação, poetando, num quase poetrix: sonho estrelas / atreladas / entre si... Movamos, outra vez, nosso relógio do tempo. O ano, agora, é 1993. Vem a público um livro chamado Caymmi: uma utopia de lugar, onde Risério, treze anos depois, retorna ao ponto onde paramos, onde Caetano nos deixou, falando de Caymmi e das muitas “palavras”, para dizer, lembrando o concretista Augusto de Campos, quando este homenageia Torquato Neto:

a palavra cantada
não é a palavra falada
nem a palavra escrita
a altura a intensidade a duração a posição
da palavra no espaço musical
a voz e o modo mudam tudo
a palavra-canto é outra coisa

Mas, felizmente, nem todos os educadores são “aqueles professorinhos” citados por Waly. Independente do tom jocoso da sua afirmação e da opinião que cada professor guarda sobre o assunto, podemos observar uma significativa mudança nessa visão, no âmbito didático. Um bom exemplo disso são os livros da série Língua, Literatura & Redação, volumes 1, 2 e 3, do professor José de Nicola, amplamente adotados por inúmeras instituições de ensino em todo o Brasil. Nos seus livros, Nicola utiliza-se largamente de letras da MPB para ensinar Literatura Brasileira. Tomando como exemplo o volume 2 da citada coleção constatamos a inclusão de 20 letras de música para estudos literários e gramaticais, num desfile da “fina flor” da nossa música: Djavan, Caetano Veloso, Chico Buarque, Hebert Vianna, Marina Lima, Belchior, Milton Nascimento, Sá & Guarabira, Abel Silva, Noel Rosa e até os desconhecidos compositores Xexéu e Zé Raimundo, autores da música Beija-Flor, consagrada na voz dos intérpretes Tatau (do bloco afro Araketu, da Bahia) e Marina.

Waly Salomão, contudo, relembrou bem os “cantares” na origem da poesia. A Literatura, como a conhecemos hoje, teve origem no sul da França, com a poesia lírica medieval do século XII; com a poesia trovadoresca, cantada e acompanhada por instrumentos de sopro, corda ou percussão que veio a se disseminar por toda a Europa, dando origem às literaturas nacionais modernas, uma vez que as obras eram apresentadas nas línguas populares das cortes, e não em latim, grande exemplo do qual viria a ser A Divina Comédia, de Dante Alighieri.

A “palavra”, então, era sinônimo de “verso”, na poesia trovadoresca galaico-portuguesa. Se não possuísse rima, o verso era chamado de “palavra perdida”, um equivalente das “rimas dissolutas” do lirismo provençal.

E é Augusto de Campos quem consegue ver um grande paralelo entre os baianos tropicalistas e os poetas provençais quando, no livro Balanço da Bossa, refere-se à proposta de fundir “motz el som” (palavra e som), comum a ambos. Uma idéia que nos remete, outra vez, a Walter Pater.

Da Europa também nos veio a Literatura de Cordel, assim designada porque os livretos com as composições em versos populares eram vendidos expostos em cordões (barbantes) nas feiras nordestinas. O cordel, por sua vez, populariza-se justamente com a apresentação musical dos repentistas nessas mesmas feiras, quando realizam uma leitura musical das obras vendidas. Estes bardos modernos retomam, assim, uma tradição secular, remontando ao longínquo período medieval.

Mas, se o cantador medieval era patrocinado pelos senhores feudais, que desejavam ver imortalizados seus códigos de conduta e façanhas, o bardo contemporâneo conta apenas com a renda auferida com a venda dos seus livretos e as eventuais animações em festividades locais.

Então, se a poesia ocidental já nasce de mãos dadas com a música, onde se inicia a dissensão? A professora Zilá Bernd, no ensaio Inscrição do Oral e do Popular na Tradição Literária Brasileira chama-nos a atenção para um fato interessante: Após uma época caracterizada por movimentos “com manifestos” (Futurismo, Surrealismo), marcada pela construção de grandes sistemas estéticos totalizantes, haveria uma tendência ao aparecimento de movimentos nômades, heterogêneos, em que, afastados da obsessão evolucionista, os escritores procurariam livremente o menor, isto é, tudo o que fora desprezado ou desdenhado anteriormente, como as formas e os sentidos da tradição oral e popular. Essa tendência de assimilar o heterogêneo determinará formações híbridas, que constituem, sem dúvida, o que há de mais vigoroso na literatura brasileira.

Indo de encontro à intenção européia de perpetuação dos seus conceitos puristas de literatura, a América Latina envereda pela construção de sistemas híbridos – compostos por elementos díspares que dão resultado a um terceiro, que trás as características dos seus predecessores - miscigenados, como seus próprios habitantes. E acrescenta a autora: A noção de mistura foi, assim, tradicionalmente associada à desordem, à confusão e à impureza, impregnando também a teoria e a crítica literárias que, até muito recentemente, colocavam sob suspeição tudo o que fosse da ordem da mistura (ou impureza) de gêneros e estilos. (idem).

Estaria aí radicada a tendência separativista entre música e letra de poesia? Em entrevista concedida à professora Azoilda Trindade, o professor Muniz Sodré afirma que (...) a idéia de cultura é a idéia do monopólio oficial de idéias já prontas, preestabelecidas (...) o que resulta de um valor global (...) que é o valor cristalizado, no modo como os europeus vivem e pensam (...) Portanto, a organização social da cultura sempre foi empenhada em distinguir, para poder marcar posições de classe, posições de poder e de classe social... É possível ter sabedoria, ter cultura, no sentido de uma instrumentalidade para lidar com o real, sem passar pela letra.

O crítico Silviano Santiago afirma que a primeira crítica severa à "grande divisão entre o erudito e o popular com o conseqüente rebaixamento deste" foi realizada pelo professor José Miguel Wisnik, no ensaio Anos 70 - 1. Música popular. Nele, Wisnik busca contrapor o pensamento de Adorno , para quem "o uso musical é a escuta estrutural de uma peça, a percepção da progressão das formas através da história da arte e através da construção duma determinada obra". Adorno, ao desejar preservar a subjetividade incorporada no objeto de arte contra o massacre do mercado, onde valor equivale a preço, acaba por estabelecer um limite entre a “grande arte” e a cultura popular, no exato momento em que a lógica e a base social desses limites desmoronavam, diante dos próprios valores políticos pós-marxistas que ele defendia. Para Wisnik, a nossa tradição musical é popular, tendo "a música como um instrumento ambiental articulado com outras práticas sociais, a religião, o trabalho e a festa". Silviano demonstra que o trabalho deste professor foi fundamental para que a crítica brasileira despertasse para a complexidade do fenômeno musical no Brasil e é conclusivo ao dizer:

No caso brasileiro, não há por que valorizar a música erudita já que não existe uma tradição sólida; não há por que rebaixar a música popular pelos motivos que José Miguel expõe e reproduzimos: "a tradição da música popular (no Brasil), pela sua inserção na sociedade e pela sua vitalidade, pela riqueza artesanal que está investida na sua teia de recados, pela sua habilidade em captar as transformações da vida urbano-industrial, não se oferece... às outras pressões que se traduzem nas exigências do bom gosto acadêmico ou nas exigências de um engajamento estreitamente concebido.

Luiz Tatit, em O Cancionista, chama-nos a atenção para um fato interessante: A história da canção popular brasileira apresenta uma constante flutuação entre o canto musicado e o canto falado, como se um compensasse a existência do outro... Por isso, um texto de criação é, quase necessariamente, disciplinador de emoções. deve ser enxuto, pode ser simples e até pobre em si. Não deve almejar dizer tudo. Não precisa dizer tudo. Tudo só será dito com a melodia.

Já Augusto de Campos vai mais longe, rompendo todas as barreiras entre a música erudita e a popular: Os que vêem a música em compartimentos fechados, sob a forma de castas aristocráticas, não entenderão o que está se passando, mas também não verão nada além dos seus compartimentos. As barreiras formais entre música erudita e música popular já não existem, a não ser em casos-limite de interesse didático.

Letra de música é ou não é, enfim, poesia? Com o artigo que leva esse título, publicado no jornal Folha de São Paulo, o crítico Nelson Ascher reacendeu a discussão. Se, para ele, um francês ou um norte-americano não hesitariam em responder a essa pergunta com um sonoro “não”, os autores latinoamericanos tem idéias diferentes a respeito. Lembrando as idéias de Adorno a respeito da questão, ele chega a supor que, nos EUA prevalece a opinião de que “a poesia não deve pertencer à esfera mercantil, da qual a canção de consumo, ainda que composta por Woodie Guthrie ou Bob Dylan, faz parte”. Para Ascher todo o problema resume-se a um ‘problema de definições’ que é provocado a depender “de onde se coloquem os limites da poesia” e corrobora: “Quem afirma que letra é poesia quer na verdade promovê-la a uma posição que julga mais elevada.” Para a questão que levanta, a resposta que considera razoável, é dúbia: “Depende”. Ignorando a diversidade de contribuições e criações de poetas e músicos brasileiros ele ratifica, dicotomicamente: “Há palavras e expressões, recursos que, corriqueiros na poesia, são quase impossíveis de usar na MPB. E vice-versa.”

Uma educada resposta a Ascher foi dada pelo articulista Abílio Friedman, da Mundo Cultural, que após considerar os aspectos históricos da relação entre poesia e música, principalmente no período medieval, conforme já apresentamos anteriormente, afirma: “a resposta para essa pergunta é... SIM.”

Friedman confronta-se, mesmo, com o questionamento levantado por alguns críticos: seriam as letras de grandes grupos musicais, como É o Tchan, poesia? No seu entender, sim, pois em todos os universos existem coisas boas e ruins. No universo da poesia não seria diferente: existe a poesia boa e a poesia ruim, e conclui: “saber diferenciar o que é bom do que é ruim e apontar, construtivamente, os defeitos do que é ruim é o nosso grande papel nessa história toda.”

Se Friedman foi polido em seu discurso, o mesmo não aconteceu com o escritor Antonio Risério. Num frontal ataque pessoal a Nelson Ascher, Bruno Tolentino e Régis Bonvicino – que aliam-se às opiniões de Ascher – Risério, eu seu artigo “Um poema é um poema é um poema?”, faz uma voraz crítica à Crítica, para ele hoje quase inexistente no Brasil. Para defender sua opinião chega a relembrar os índios Kuikúro (ou Cuicuru). Os kuikúro são um povo indígena, de língua da família Karíb, que vivem na região do Alto Xingu, na margem esquerda do Culvene, no Parque Indígena do Xingu, em Mato Grosso. Eles confeccionam colares e cintos de caramujos, muito valorizados nas trocas entre os indígenas do parque. Em 1990, eram pouco mais de 200 almas. Os kuikúro distinguem três “poesias”: a da fala, a da fala cantada e a do canto.

Em um dos parágrafos do seu texto, Risério sintetiza toda a argumentação dirigida contra o conceito separatista: Na verdade, os discursos que querem reduzir a poesia a um dos formatos que ela assumiu, ao longo de sua trajetória histórica, indicam nada mais que a crescente ansiedade de literatos conservadores (sejam tolentinos ou bonvincinos) diante das transmutações formais que atualmente presenciamos. E, em consequência, diante da impossibilidade de sustentar o caráter único ou mesmo a hegemonia do modelo gráfico que esses mesmos literatos elegeram para o fazer poético.

Na Literatura e na Música não têm sido poucas as tentativas de reaproximação entre a palavra e a melodia. Sem sombra de dúvida podemos afirmar que quem mais tem procurado construir essa ponte, na MPB, é a intérprete Maria Bethânia. Como um dos muitos exemplos possíveis de serem citados, podemos lembrar o CD A Força Que Nunca Seca. A música carro-chefe, que dá nome ao CD, tem letra de Vanessa Mata, com composição de Chico César e foi indicada ao Prêmio Grammy Latino como Melhor Música. Um belíssimo poema, que dialoga perceptivelmente com Morte e Vida Severina, de João Cabral de Mello Neto:


O RETIRANTE APROXIMA-SE DE UM DOS CAIS DO CAPIBARIBE

— Nunca esperei muita coisa
é preciso que eu repita.
Sabia que no rosário
de cidades e de vilas,
e mesmo aqui no Recife
ao acabar minha descida,
não seria diferente
a vida de cada dia:
quem sempre pás e enxadas
foices de corte e capina,
ferros de cova, estrovengas
o meu braço esperariam.
Mas que se este não mudasse
seu uso de toda vida,
esperei, devo dizer,
que ao menos aumentaria
na quartinha, a água pouca,
dentro da cuia, a farinha,
o algodãozinho da camisa,
ou meu aluguel com a vida.
E chegando, aprendo que,
nessa viagem que eu fazia,
sem saber desde o Sertão,
meu próprio enterro seguia.

A FORÇA QUE NUNCA SECA

Já se pode ver ao longe
A senhora com a lata na cabeça
Equilibrando a lata vesga
Mais do que o corpo dita

Que faz o equilíbrio cego
A lata não mostra
O corpo que entorta
Pra lata ficar reta

Pra cada braço uma força
De força não geme uma nota
A lata só cerca, não leva
A água na estrada morta
E a força nunca seca
Pra água que é tão pouca

Pra cada braço uma força
De força não geme uma nota
A lata só cerca, não leva
A água na estrada morta
E a força nunca seca
Pra água que é tão pouca

Bethânia, que sempre introduz trechos recitados de poesias em seus CD, nesse relembra o poeta Ascenso Ferreira , com o seu Trem de Alagoas: “Vou danado pra Catende / com vontade de chegar... / cana caiana / cana roxa / cana fita / cada qual a mais bonita / todas boas de chupar...” Ascenso lançou seu primeiro livro, Catimbó, em 1927 e Cana Caiana, em 1930. Em 1951 lançaria, em edição de luxo, as duas obras e um terceiro livro, Xenhenhém, juntamente com um disco com melodias para os poemas. Possivelmente essa foi uma das primeiras propostas desse tipo realizada no Brasil.

No mesmo CD, Bethânia canta Luar do Sertão, de Catulo da Paixão Cearense. Maranhense, radicado no Rio de Janeiro, é considerado o compositor da primeira modinha, Ao Luar, no início do século XX, chegando a atingir um prestígio nunca antes conseguido por um autor do seu gênero. Escreveu 15 livros de poesias e inúmeras letras. Caricaturado no romance Triste Fim de Policarpo Quaresma, de Lima Barreto, onde é representado pelo personagem Ricardo Coração-dos-Outros, Catulo, apesar de “megalômano e ridiculamente auto-intitulado Papa dos Cantores, no dizer de José Ramos Tinhorão, foi um dos responsáveis pela valorização do que viria a ser a MPB, pois, até o século XIX prevalecia o preconceito contra o violão, sempre associado às idéias de “boêmia, capadócia, arruaças e conseqüentes desentendimentos com a polícia.” No próprio romance citado, Ricardo Coração-dos-Outros já faz uma alusão à polêmica relação entre poesia e música, quando defende-se:

— Todos os críticos se atem a essa questão da metrificação. Dizem que meus versos não são versos... são, sim; mas são versos para violão. V.Exa. sabe que os versos para música têm alguma coisa de diferente dos comuns, não é? Não há, portanto, nada a admirar que os meus versos, feitos para violão, sigam outra métrica e outro sistema, não acha?

Apesar das múltiplas divergências de opinião das discussões, por vezes vorazes, entre autores e críticos, os criadores que alternam-se, ora no papel de poeta, ora no de letrista ou compositor parecem não ver nessa questão um problema. Para eles, sobretudo, prevalece a necessidade do exercício da criação, do externar das suas idéias e emoções, seja na palavra falada, escrita ou cantada. Paulo Leminski, poeta e compositor paranaense dizia não estar interessado “na idéia de uma literatura, nem mesmo de uma continuidade literária... Quero, pretendo estar atuando sobre a coisa mais complexa, que se chama Cultura.” Indo de um extremo a outro, chegou a afirmar que “o papel da poesia é se desvencilhar da Literatura, e procurar a companhia de outras artes, como o desenho, a fotografia, a música.”

Leminski alia-se, assim, às opiniões de Risério, ao constatar que o que muda, verdadeiramente, são os canais. Mas, afinal de contas, que é O POETA? Seria aquele que escreve apenas poemas ou aquele que consegue, de uma forma poética, seja com palavras, melodias ou mesmo pincéis, estabelecer uma “ponte de significados” entre si e quem o lê/ouve/vê?

Se a opinião que sempre prevaleceu é a de que a poesia é superior à letra de música, consequentemente o conceito se estende aos seus executores e, assim, o poeta seria superior ao letrista. Talvez aí resida a razão de vários letristas não se considerarem poetas e, também, do público aclamar os grandes letristas como seus poetas. Nesse enfoque, vale a pena observarmos como Leminski supera paradigmas, ao colocar dois dos maiores nomes da nossa MPB como “poetas do disco”:

Com a geração que produziu Caetano e Chico Buarque, viu se deslocar o pólo da poesia, do suporte livro pro suporte disco. De repente os dois poetas da nova geração não estão editando livros. São músicos que fazem letras e estão gravando discos. Realmente não existe nenhum poeta escrito que você possa contrapor a Caetano e Chico na música popular. Com Caetano e Chico aconteceu uma coisa na música brasileira. Uma coisa muito grande, uma mudança de código. E isso prosseguiu. A associação entre poesia e música tende a se tornar cada vez maior em termos de Brasil. Os poetas mais bem dotados, mais talentosos, vem, pelo menos, prestando muita atenção na poesia dos letristas da música popular. (LEMINSKI, 1994)

Companheira de Leminski por muitos anos, Alice Ruiz é uma poetisa que lançou, em 1999, um “livro de letras” que foi vencedor do concurso literário promovido pela Editora Blocos. O livro, chamado Poesia pra tocar no rádio, traz diversas poesias (ou seriam letras?) suas, musicadas e interpretadas por grandes nomes da MPB: Arnaldo Antunes, Itamar Assumpção, Gal Costa, Cássia Eller e Chico César, incluindo o sucesso Socorro (“socorro, eu não estou sentindo nada...”). Uma das letras, chamada Navalhanaliga, foi elaborada a partir da junção de vários hai-kais:

NAVALHANALIGA

Nada pode tudo na vida.
Por que toda estrela pisca no céu
e o cometa risca?
Por que você não se arrisca, meu bem
e vem, belisca e petisca?
Por que teu beijo faísca?
Valha navalha na liga
nada na barriga
valha navalha
não se escandalize, não
tudo isso a gente pensa
quando entra em transe
quando sai da crise
ou dizer não, não, não, não, não, não
tantas vezes até formar um nome
até formar seu nome
valha navalha na liga/nada pode tudo na vida
falta de sorte
fui me corrigir
errei

Luiz Tatit relembra-nos que “toda e qualquer canção popular tem sua origem na fala” (TATIT, 1996). Tatit também recorda Mário de Andrade, um grande conhecedor tanto da Literatura quanto da Música (lembremos que Macunaíma é uma rapsódia), para quem “a voz cantada quer a pureza e a imediata intensidade fisiológica do som musical. A voz falada quer a inteligibilidade e a imediata intensidade psicológica da palavra oral.”

Da nova geração de talentos poético-musicais, Adriana Calcanhoto é uma das mais elogiadas compositoras da nova MPB. Em toda sua obra é evidente a influência dos poetas da nossa literatura. Na música Vambora há duas alusões explícitas aos poetas Manuel Bandeira e Ferreira Gullar:

VAMBORA

Entre por essa porta agora
e diga que me adora
você tem meia hora
pra mudar a minha vida
vem vambora
que o que você demora
é o que o tempo leva

Ainda tem o seu perfume pela casa
ainda tem você na sala
porque meu coração dispara
quando tem o seu cheiro
dentro de um livro
“Dentro da noite veloz”
(“Na cinza das horas”)

Dentro da noite veloz e Cinza das Horas são títulos de trabalhos de Gullar e Bandeira, respectivamente.


A Música e a Poesia – e também as Artes Plásticas – tiveram uma origem comum, relacionada com as primeiras expressões religiosas animistas. Ainda na Idade Média, a figura do trovador aliava os papéis de músico e poeta. A dissensão tem início com a formação das literaturas nacionais, o que provocaria um ‘juízo de valor’, que viria a classificar a Literatura como ‘nobre’ e a composição musical como ‘popular’, à exceção da música erudita, instrumental, desprovida de letra, que ocuparia uma outra instância. Desde então, o Poeta é aquele que domina a língua com maestria, realizando trabalhos de caráter ‘superior’ ao da letra musicada.

Já no século XX, principalmente com as novas visões oriundas da pós-modernidade, o próprio conceito de Literatura torna-se mais amplo, incorporando outras contribuições.

As respostas que encontramos á nossa pesquisa – “SIM”, “NÃO” e “DEPENDE” – demonstram que o assunto está longe de ser esgotado, de haver um consenso. Se os exemplos falam por si próprios, casos como o de Vinicius de Moraes demonstram que os limites entre uma e outra são tão tênues que chegam a se confundir.

Minha opinião está mais próxima daquela expressa por Abílio Friedman. A letra de música é uma forma poética, assim como outras tão díspares como o Cordel, a Trova, a Ode ou o Hai-kai. Em todas elas, como em todas as demais expressões culturais, existem trabalhos de boa qualidade, em detrimento de outros, não tão bons. Mas, mesmo esta classificação, apesar de poder balizar-se em conceitos técnicos, é extremamente subjetiva. A poesia – ou letra de música – que um crítico elogia, outro pode desmerecer. Isso vale, também, para a opinião pública. Como diria Cazuza, parodiando Augusto dos Anjos, “os fãs de hoje são linchadores de amanhã” (a mão que afaga é a mesma que apedreja!).


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Goulart Gomes
Enviado por Goulart Gomes em 29/06/2008
Alterado em 13/10/2016
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